A história do Diretório Acadêmico não é de forma alguma, uma história bonita como nos contos de fadas. Apesar do curto período de existência, conflitos internos, falta de comunicação e organização e, até a tentativa de cassação da presidenta, marcaram um ano turbulento como se não bastasse a crise política nacional. Foi na primeira turma de Relações Internacionais da Universidade Federal de Rio Grande – FURG, no Campus Santa Vitória do Palmar, no fim do mundo como alguns preferem dizer ou começo por outros defensores, que surgiu o interesse de criar-se um Diretório Acadêmico para representar os interesses do curso. Mas de onde surgiu tal interesse?

Alunos, muitos deles vindos de tão longe para fazer universidade, situados numa cidade pequena com infraestrutura carente em vários sentidos e num Campus avançado, percebeu-se uma falta de atenção do Campus sede onde fica a Faculdade de Direito, criadora do próprio curso de Relações Internacionais. Também estimulados pelos professores, um grupo de estudantes decidiram se organizar para fundar essa instituição formal para que fossem ouvidas as reivindicações para o desenvolvimento do curso. Pediu-se ajuda ao Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito - DARB para dar auxílio nos procedimentos, assim como a base para formulação do Estatuto do Diretório. Determinada a chapa, única pela pouca quantidade de estudantes, só se precisava de um nome e eleições. Um autor marcou a todos ingressantes no curso de Relações Internacionais, sendo um dos primeiros estudados na disciplina de Teoria Geral do Estado com o Professor Dr. Daniel Machiori, o que deu o nome ao Diretório, Sir Thomas Hobbes. Esse nome de fato representou esse tempo de experiência, seguindo os preceitos do patrono: assemelhou-se mais como uma guerra de todos contra todos no estado de natureza hobbesiano.

Nesse estado de natureza descrito, prevaleceu a desorganização, a defesa de interesses próprios, a má gestão e divergências ideológicas, somadas à falta de experiência no funcionamento dos procedimentos burocráticos institucionais. O Diretório Acadêmico passou por um período de ociosidade até que a questão da gestão do Diretório voltou à tona, já com a segunda turma ingressante no curso. Se não foram suficientes as divergências anteriores, quando o assunto voltou nas discussões entre estudantes, gerou-se grande comoção em busca de respostas e culpados pela ociosidade das atividades que representam os estudantes, e chegou-se ao ponto de tentar-se cassar a presidenta do Diretório. Começaram a surgir então novas demandas e estas sendo discutidas em Assembleias Gerais, com Regimento próprio inspirado nas Simulações aos moldes das Nações Unidas, onde estudantes discutem tópicos internacionais ainda sem solução.

 

Bruno Martins Di Palma, acadêmico do 5o semestre do Curso de RI